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Polícia A casa caiu!

PF aponta delegado entre 29 alvos de esquema que movimentou R$ 500 milhões e desviou cocaína da Denar

Investigação da Operação Ifrit descreve estrutura comandada por três irmãos, com arsenal de guerra, bunkers, apoio de agentes públicos e patrimônio milionário.

05/11/2026 às 07h39
Por: Redação
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Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa. — Foto: Adepol MS
Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa. — Foto: Adepol MS

A investigação da Polícia Federal sobre a organização criminosa que atuava na fronteira de Mato Grosso do Sul revelou uma conexão entre o tráfico internacional de drogas e armas e o desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína do depósito da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande. Entre os 29 alvos identificados na Operação Ifrit está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já estava preso desde setembro por outra investigação do Gaeco.

Segundo informações divulgadas pela imprensa com base nas apurações, o delegado teria recebido cerca de R$ 15 milhões pela venda da cocaína retirada do depósito da Denar. A droga teria sido comercializada por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil por quilo. Para disfarçar o desvio, integrantes do grupo teriam substituído parte do entorpecente por uma mistura de cocaína de menor pureza, fermento, amido de milho e outros produtos, acondicionada em embalagens semelhantes às originais.

A investigação aponta que conversas, fotografias e vídeos mostram integrantes da organização manipulando as substâncias e circulando pelas dependências da delegacia. O material adulterado teria sido encaminhado posteriormente para destruição, enquanto a cocaína de maior pureza era desviada para o comércio ilegal.

Estrutura familiar e arsenal de guerra

A cúpula da organização seria formada por três irmãos, filhos e outros parentes, com divisão de tarefas financeiras, logísticas e operacionais. O grupo atuaria desde pelo menos 2018, concentrando parte de suas atividades em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina.

Para proteger as lideranças e dificultar a ação policial, a estrutura contava, segundo a investigação, com veículos blindados, drones, equipamentos de comunicação e sistemas de contrainteligência. Também foram identificados espaços semelhantes a bunkers, destinados a abrigar integrantes armados.

O arsenal descrito nas apurações inclui metralhadoras calibre .50, lança-foguetes, fuzis, granadas e pistolas, além de coletes balísticos e roupas táticas. A organização também é apontada como ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e a um narcotraficante boliviano conhecido como Narcofantasma.

As drogas e armas seriam adquiridas na Bolívia, no Peru e no Paraguai e introduzidas no Brasil pela fronteira sul-mato-grossense. Parte das cargas abasteceria mercados internos, principalmente em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Outra parcela seguiria para a Europa, com destinos como Espanha e Portugal.

Patrimônio milionário e bloqueio de bens

A movimentação financeira atribuída ao grupo ultrapassaria R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos. Além desse fluxo de recursos, a investigação identificou patrimônio superior a R$ 500 milhões associado às atividades criminosas.

A Justiça determinou o sequestro de cerca de 160 imóveis, entre mansões, apartamentos de luxo, um haras e seis fazendas que, juntas, somam mais de 5 mil hectares em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas. Também foram atingidos mais de 150 veículos, além de lanchas e cavalos de raça.

Outro bloqueio autorizado pode chegar a R$ 300 milhões em contas vinculadas a 170 pessoas físicas e jurídicas. Conforme a Receita Federal, o dinheiro circulava por contas de investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados para ocultar sua origem.

Policiais são investigados por colaboração

A apuração também identificou suspeitas de participação de policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e de um policial rodoviário federal de Mato Grosso. Eles teriam recebido dinheiro ou bens em troca de informações sigilosas, monitoramento de veículos e imóveis e antecipação de operações policiais.

De acordo com os investigadores, os dados repassados poderiam ser utilizados para ameaças, incêndios, ataques armados e homicídios. Também são apuradas suspeitas de interferência em investigações, eliminação de provas e facilitação da liberação de veículos e drogas apreendidas. Três policiais civis foram afastados das funções por determinação judicial.

Entre os alvos em Campo Grande está o investigador Douglas Tobias, que já havia sido preso na Operação Infiltrados. Durante a Ifrit, policiais federais apreenderam um Mustang atribuído a ele.

Outro investigado é o empresário Adel Hassan Haidar, de Ponta Porã, integrante de uma família conhecida na região de fronteira. Ele aparece entre os alvos da operação, mas as autoridades ainda não detalharam a participação que lhe é atribuída nem confirmaram se integra o núcleo familiar apontado como liderança da organização.

Operação alcançou sete estados

Deflagrada na quarta-feira (4), a Operação Ifrit cumpriu 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. Também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis.

A Justiça autorizou ainda a inclusão cautelar de 11 investigados apontados como lideranças em presídios federais e a difusão de alertas vermelhos da Interpol para a localização de 26 alvos.

Os investigados poderão responder, conforme a conduta atribuída a cada um, por organização criminosa, tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção, peculato, falsificação de documentos, tortura e homicídio.

As acusações ainda dependem de apuração e análise judicial. A inclusão entre os alvos da operação e o cumprimento de medidas cautelares não representam condenação nem comprovam, por si só, responsabilidade criminal.

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