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Lobista promete delação, cita Lula e Lulinha e afirma que ministros pediam sua ajuda para chegar ao presidente

Investigada no caso das fraudes do INSS, Roberta Luchsinger diz que pretende colaborar com a Justiça e afirma ter participado de articulações políticas; Planalto e defesa de Lulinha contestam as acusações

17/10/2026 às 19h15
Por: Redação
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Lobista promete delação, cita Lula e Lulinha e afirma que ministros pediam sua ajuda para chegar ao presidente

A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que pretende fazer uma delação premiada e que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em entrevista à CNN Brasil, divulgada neste sábado (17), ela também declarou que ministros do governo procuravam sua ajuda para conseguir reuniões com o presidente ou obter prioridade para projetos.

“Eu não vou poupar ninguém”, afirmou Roberta, ao falar sobre a possibilidade de colaborar com as investigações. A empresária é investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que também envolvem suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

A declaração ganha relevância política a uma semana do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Até o momento, a intenção de colaborar não equivale a uma delação formalizada, e as acusações feitas pela empresária precisam ser apuradas.

“Ministros me pediam ajuda”, afirma lobista

Em outra entrevista à CNN Brasil, Roberta afirmou que integrantes do governo federal a procuravam para pedir favores, ajuda para tratar de projetos e intermediação para conseguir acesso ao presidente.

Ela citou integrantes e ex-integrantes do governo, entre eles representantes das áreas de Educação, Saúde e Comunicações. Segundo seu relato, alguns ministros recorriam a ela e a pessoas próximas a Lula para tentar viabilizar reuniões com o presidente ou obter prioridade em determinadas iniciativas.

Roberta afirmou que os pedidos variavam de ajuda pessoal a questões relacionadas a políticas públicas, incluindo discussões sobre medicamentos à base de canabidiol.

As declarações são da própria empresária e não demonstram, por si só, que tenha ocorrido irregularidade nas agendas ou nas tratativas mencionadas.

Procurados pela CNN, os ministérios da Educação e das Comunicações negaram tratativas com Roberta e Lulinha para obter acesso à agenda presidencial. O Ministério das Comunicações afirmou que os compromissos com a Presidência são solicitados pelos canais institucionais.

Investigação envolve suspeitas relacionadas ao INSS

Roberta Luchsinger e Lulinha são citados em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), derivados da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes envolvendo aposentadorias e pensões do INSS.

Entre as linhas de investigação está a suspeita de que a empresária e o filho do presidente mantivessem uma sociedade não formalizada em negócios. Ambos negam irregularidades, e a existência dessa relação nos termos investigados ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades.

Reportagens anteriores também apontaram que a Polícia Federal analisa mensagens relacionadas a pagamentos a integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social. A investigação busca esclarecer a natureza das transferências e se houve contrapartidas indevidas.

Lula e Lulinha contestam as acusações

Em nota divulgada à CNN Brasil, Lula afirmou desconhecer os fatos relatados pela empresária e negou ter mantido interlocução com ela ou recebido demandas suas. O Planalto também questionou o momento da divulgação das declarações, às vésperas do segundo turno.

A defesa de Lulinha, por sua vez, negou que ele tenha cometido irregularidades e afirmou que sua relação com políticos, inclusive pessoas que posteriormente se tornaram ministros, sempre teve natureza pessoal. A defesa também contestou a condução das investigações e declarou que pretende demonstrar sua inocência nos autos.

Roberta, por sua vez, afirma ter sido próxima de Lulinha e sustenta que ele participou de encontros com integrantes do governo. Ela não apresentou publicamente, nas entrevistas citadas, comprovação de que os encontros tenham envolvido atos ilícitos.

O que pode acontecer agora

A eventual delação dependerá dos procedimentos legais e da avaliação das autoridades competentes. Uma colaboração premiada precisa ser formalizada e seus relatos devem ser confrontados com documentos, depoimentos e outras provas.

A promessa de delação pode abrir uma nova frente de apuração, mas não comprova, isoladamente, as acusações feitas pela lobista. O peso das declarações dependerá do conteúdo apresentado às autoridades e da existência de elementos independentes que confirmem o que for relatado.

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