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Saúde 'Tratamento precoce'

Sem eficácia: MS comprou e também recebeu de Ministério mais de 235 mil comprimidos de cloroquina

Estado é o 2º do Centro-Oeste que mais recebeu medicamento não recomendado para tratamento

18/04/2021 07h17 Atualizada há 3 semanas
Por: Andressa Macedo Fonte: Midiamax
Fiocruz descarta eficácia da Cloroquina contra Covid-19. - Foto: Reprodução/ Agência Brasil.
Fiocruz descarta eficácia da Cloroquina contra Covid-19. - Foto: Reprodução/ Agência Brasil.

Sem eficácia comprovada, 116.500 comprimidos de Cloroquina foram enviados a Mato Grosso do Sul para uso no tratamento da Covid-19. A quantidade enviada pelo Ministério da Saúde é a segunda maior do Centro-Oeste. Além da remessa, o Estado também usou recursos para adquirir 119.460 comprimidos do remédio que não tem comprovação científica de benefícios no tratamento.

Apesar da campanha a favor do medicamento, realizada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e distribuição pelo Ministério da Saúde, não existem estudos conclusivos sobre a eficácia da Cloroquina para a Covid-19. De acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), não é possível afirmar a eficiência do remédio contra o coronavírus. 

Além disto, o medicamento é originalmente usado para combater a malária. Assim, a Fiocruz destaca que a Cloroquina e o derivado, Hidroxicloroquina, podem “ser nocivas quando utilizadas de forma inadequada e sem orientação médica”.

Ainda assim, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) recebeu 91.500 comprimidos de Cloroquina 150 mg para tratar a doença no Estado. Outras 25 mil unidades foram enviadas para a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) em Campo Grande. 

As informações foram coletadas pelo Jornal Midiamax por meio de dados abertos do Governo Federal. O quantitativo é referente ao enviado durante o ano de 2020 e a base de dados foi atualizada até 31 de março de 2021. 

Além de receber os medicamentos, MS autoriza o uso da Cloroquina em pacientes infectados pelo coronavírus. A Secretaria publicou “recomendações para tratamento farmacológico com Cloroquina e Hidroxicloroquina na Covid-19”.

O Governo do Estado autoriza a SES e Secretarias Municipais a solicitarem mensalmente a quantidade desejada dos medicamentos sem eficácia comprovada, para que usem no tratamento da Covid-19. São autorizados usos em casos confirmados da doença, sendo em âmbito ambulatorial ou hospitalar, da rede pública ou privada. 

Tratamento da Covid-19 em MS

Ao Jornal Midiamax, a SES disse que não possui informações sobre o uso dos medicamentos enviados para tratamento da Covid-19 em MS. Apesar de ter recebido a maior parte dos comprimidos de Cloroquina, a Secretaria afirmou que as informações devem ser solicitadas diretamente com os 79 municípios do Estado e as unidades hospitalares sul-mato-grossenses. 

Além de receber Cloroquina do Ministério da Saúde, a SES realizou compra de 119.460 comprimidos de Hidroxicloroquina 400 mg. O dado não está disponível de forma acessível para a população e foi solicitado por meio de LAI (Lei de Acesso à Informação) pelo Jornal Midiamax. 

Com isso, a quantidade de remédios custou R$ 161.271 para os cofres de MS. Mesmo sem comprovação de efetividade contra a Covid-19, a Hidroxicloroquina foi adquirida por meio de Ata de Registro de Preço, em 28 de abril de 2020. 

 

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