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Rural Alimentos

Governo zera tarifa de importação da soja e do milho

Medida já havia sido anunciada para o arroz e tenta aumentar a oferta para conter a alta de preços desses produtos

18/10/2020 09h30
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Por: Andressa Macedo Fonte: correiobraziliense.com.br
(crédito: José Varella/CB/D.A Press - 10/4/08)
(crédito: José Varella/CB/D.A Press - 10/4/08)

Para tentar conter a alta dos alimentos, o governo brasileiro decidiu zerar a alíquota de importação da soja e do milho. A medida já havia sido tomada para o arroz e visa aumentar a oferta dos produtos no país para baixar o preço.

A decisão foi tomada nessa sexta-feira (16/10), durante uma reunião extraordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a pedido dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Economia.

A isenção vale até 15 de janeiro de 2021 no caso da soja e até 31 de março de 2021 no caso do milho. E não tem uma cota definida. É mais flexível, portanto, que a do arroz. No caso do arroz, o governo permitiu a importação sem tarifa de no máximo 400 mil toneladas até o fim deste ano.

Por meio de nota, o Ministério da Agricultura explicou que "o objetivo é promover um ajuste entre a oferta e demanda desses produtos no período anterior à colheita da safra 2020/2021". O Ministério da Economia acrescentou que "ambas as medidas têm como motivação conter a alta de preços no setor de alimentos".

Alta de preços

Segundo a inflação oficial brasileira, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o óleo de soja já subiu mais que o arroz neste ano. O produto ficou 51,3% mais caro desde janeiro e sofreu uma alta de 27,54% só em setembro. Já o arroz subiu 40,69% no ano e 17,98% no mês passado.

O aumento é fruto da alta do dólar, que elevou os preços desses produtos no exterior e levou os produtores nacionais a exportar mais, sobretudo para a China, que também reforçou a demanda pelos produtos brasileiros neste ano. Só as exportações de soja subiram cerca de 30% entre janeiro e setembro, chegando a 79 milhões de toneladas. Por isso, a oferta diminuiu e o preço subiu no mercado doméstico.

No caso do milho, a alta de preços foi mais modesta - 10,1% no ano e 3,35% em setembro -, também fruto do aumento de exportações. Porém, a demanda subiu bastante, já que o produto serve de alimento na produção pecuária e as exportações de proteína animal também estão em alta neste ano. A exportação de carne, por exemplo, subiu 14% até setembro. Por isso, os produtores vinham mostrando preocupação com a oferta e os preços do milho e os consumidores já se queixavam dos preços das carnes, que subiram 4,5% em setembro.

“Em virtude desses fatores, foi conveniente buscar uma medida preventiva, de maneira a equalizar as condições de importação de terceiros países com o Mercosul, fortalecendo o abastecimento do mercado doméstico”, afirmou o diretor de Comercialização e Abastecimento, Sílvio Farnese. Ele garantiu, por sua vez, que não há risco de desabastecimento.

Arroz

No início de setembro, o governo também zerou a tarifa de importação do arroz. Desde então, os produtores brasileiros já negociaram 225 mil toneladas de arroz dos Estados Unidos, Índia e Guiana, segundo o Ministério da Agricultura.

A maior parte desse produto, contudo, ainda não chegou ao Brasil. Por isso, os preços do arroz ainda subiram em setembro. Além disso, a indústria já avisou que não deve haver uma redução brusca de preços quando as importações se efetivarem. Para o setor, a medida terá o efeito de evitar que os preços continuem subindo.

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