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Polícia Investigação

"Não é coincidência", diz juiz sobre fuga de líderes de organizações criminosas em MS

Fernando Chemin Cury, da 1ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, mandou investigar como o preso José Claudio Arantes, o “Tio Arantes” conseguiu escapar da prisão.

25/11/2021 às 10h53
Por: Redação 2 Fonte: G1 MS
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José Claudio Arantes, mais conhecido como “Tio Arantes” — Foto: Divulgação
José Claudio Arantes, mais conhecido como “Tio Arantes” — Foto: Divulgação

“Não é coincidência que apenas líderes de organização, em tese com mais dinheiro, conseguem fugir”. A declaração é do juiz Fernando Chemin Cury, da 1ª Vara de Execução Penal de Campo Grande que se diz indignado com a fuga do preso José Claudio Arantes, o “Tio Arantes” do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira de Campo Grande na madrugada da última terça-feira (23).

O juiz é categórico ao dizer “houve participação de terceiros nesta fuga” e já mandou investigar a “sequência de erros” que rodeiam o caso.

Para se ter ideia, cadeados da cela e do portão de acesso ao pavilhão onde Tio Arantes cumpria pena sumiram. Além disso, as câmeras de segurança daquele pavilhão estragaram horas antes da fuga. "É óbvio que alguém abriu os cadeados", diz.

Outros casos

Cury chama atenção para o fato de ser o “segundo líder que foge em alguns meses” no Estado. O outro a que ele se refere é Laudelino Ferreira Vieira, de 42 anos, que, “sumiu” do presídio de segurança máxima, em Campo Grande, em maio deste ano, possivelmente em carro que fazia entrega no estabelecimento penal.

Lino, como é conhecido, tinha sido condenado a 80 anos de prisão. Com passagens na polícia desde o 19 anos foi apontado como líder de assalto contra empresa de táxi aéreo em Corumbá (MS) no ano de 2004. Na ocasião, um piloto acabou morto.

Ele também foi responsabilizado pela morte de um policial em 2006 e em 2010 acabou preso com carga de cocaína.

Quatro meses após ter desaparecido do presídio, Lino foi apontado como responsável por arrastão em aeroporto de Aquidauana. Três aeronaves foram levadas na ocasião.

A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) abriu investigação sobre o caso e as polícias fizeram buscas, mas o paradeiro de Lino ainda é desconhecido.

Sem pistas

Sob acusações de tráfico de drogas e associação criminosa, Gerson Palermo, de 61 anos, é outro chefe de grupo criminoso que fugiu e nunca mais foi encontrado. Em meio à pandemia da covid-19 ele conseguiu liminar judicial para cumprir prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.

Considerado preso de alta periculosidade, Palermo foi condenado por sequestrar um avião da Vasp em agosto de 2000. Na ocasião, ele obrigou os tripulantes a abrirem o compartimento de cargas e fugiu com malotes do Banco Brasil com mais de R$ 5 milhões.

"Estou indignado com essa situação", reforçou o juiz, enfatizando ter entrado em contato com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e com a direção da Agepen "cobrando uma postura enérgica" para evitar novos casos como estes.

"Coloquei no meu despacho para investigar e afastar quem estava lá porque isso não pode acontecer", finalizou.

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