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Alexandre Mortágua sobre reconciliação com o pai, Edmundo: "Estamos nos aproximando"

Artista, diretor de cinema e escritor, jovem de 26 anos irá retratar todo seu processo de autoconhecimento em livro sobre depressão e ansiedade, onde relata a tentativa de suicídio e uso de drogas

04/08/2021 às 16h52
Por: Redação Fonte: Revista Quem
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Alexandre Mortágua sobre reconciliação com o pai, Edmundo:

[ALERTA: este texto aborda assuntos como depressão e suicídio, o que pode ser gatilho para algumas pessoas. Caso você se identifique, tenha depressão ou pensamentos suicidas, procure apoio no Centro Voluntário à Vida pelo telefone 188]

Alexandre Mortágua, de 26 anos, expôs o turbilhão de sentimentos que viveu ao passar por um processo de cura da depressão e ansiedade, no livro Aqui, Agora, Todo Mundo, em pré-venda no site da editora Philos. Se atingir um número mínimo de exemplares vendidos, a obra será impressa em setembro. O jovem diretor de cinema exerceu o seu lado escritor durante a pandemia. À Quem, ele fala sobre uma tentativa de suicídio, o abandono das drogas e a reconciliação com o pai, Edmundo, e a mãe, Cristina Mortágua.

"Sou um artista, e artistas precisam se adaptar ao seu tempo para produzir. O livro surgiu em um momento onde não se podia filmar por causa da pandemia e a literatura foi minha forma de continuar trabalhando e produzindo fora do audiovisual. Meus próximos projetos são na literatura e no cinema", conta.

Ao tratar o emocional, Alexandre descobriu o gatilho de sua tristeza profunda. "Com terapia, consegui identificar que esse período depressivo começou como respostas à morte da minha madrinha de batismo, Márcia, que morreu de um câncer bem violento em 2017. Márcia era prima da minha mãe e era a autoridade paterna que eu não tinha na vida. Foi bem foda", relata.

Nesses quatro anos de tratamento, o artista abriu mão das drogas e incluiu exercícios físicos a sua rotina. "Olha, terapia não é um processo fácil. Ouço muito dizerem 'faz terapia que resolve', mas é um processo que precisa de muita disposição para reconhecer os padrões e acreditar neles. Dói fisicamente. Mas o combo psiquiatra mais psicólogo funciona bastante, junto com algum exercício físico, dormir bem, não usar drogas e um grupo de amigos que te faça se sentir ouvido", define.

A obra 100% autobiográfica começa com o relato de Alexandre sobre um pensamento suicida. "O livro narra uma tarde em que eu pensei em me jogar na varanda do meu apartamento. O texto discorre e comenta sobre vários eventos que passaram pela minha cabeça naquele dia. Os eventos não são interligados entre si, mas depois que eu terminei de escrever, eles fizeram bastante sentido juntos", explica.

Apesar de toda exposição de sua vida pessoal, ele garante ser reservado e tímido. "Eu sou. Gosto de ter a sensação de que eu tenho a minha vida e ela é só minha. Mas tem coisas que a gente precisa fazer, eu acho. Eu faço muito as coisas por mim, sabe? Meus projetos autorais, no caso. Eu me realizo exercendo minha arte. Meio cafona, né? Mas é isso. O livro foi uma forma de continuar produzindo durante o isolamento social e gosto da sensação de estar, aos poucos, reunindo uma dúzia de malucos que gostam do que eu faço", conta.

Edmundo fora do livro

A aproximação de Alexandre do pai se deu após o processo de autoconhecimento, portanto o Edmundo não será citado na publicação. Já a mãe ganhará destaque. "O livro é sobre acontecimentos que passaram pela minha cabeça naquela tarde de outubro que eu pensei em me jogar da varanda. Eu não tinha me aproximado do meu pai até então, ele não está no livro. Mas eu falo bastante da minha mãe", justifica.

Em paz com a família

Depois de muitas polêmicas expostas publicamente, finalmente, o jovem encontrou um equilíbrio para viver em paz com a família. Alexandre diz de que forma essa reconciliação impactou positivamente em sua vida e trabalho. Em abril, o filho passou o aniversário de 50 anos do pai com ele, em São Paulo, onde Alexandre também reside atualmente.

"Pela primeira vez, aos vinte e seis anos, passei um aniversário do meu pai com ele. Me deu um senso de novidade. Eu acreditava que minha relação com meu pai seria conturbada para sempre e já tinha aceitado isso. Conseguir modificar uma situação que eu acreditava ser eterna me deu um senso de que qualquer coisa é possível, toda relação é 'consertável'. Nós ainda estamos nos aproximando, mas serviu bastante para outras relações também", conclui.

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