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Eliminado, Arthur Nory se diz abalado por críticas sobre ato racista

Atual campeão mundial da barra fixa disse que sofreu de depressão e burnout durante a preparação olímpica após ataques nas redes sociais

24/07/2021 às 13h17 Atualizada em 24/07/2021 às 13h38
Por: Kalyne Amorim Fonte: VEJA
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"Venho tomando muita paulada agora e não vou mais me esconder." afirmou Arthur Nory Miriam Jeske/ COB/Divulgação

A Olimpíada de Tóquio já acabou para o ginasta brasileiro Arthur Nory. Campeão mundial da barra fixa em 2019 e medalhista de bronze do solo na Rio-2016, ele falhou nas duas únicas apresentações em que tentava buscar uma final no Japão, na madrugada deste sábado, 24. Frustrado com o resultado, Nory se disse afetado pelas críticas e ofensas constantes que sofre nas redes sociais, em alusão a um ato racista cometido por ele em 2015.  

“Eu tive muito medo, fiquei muito acuado para tudo. Eu estou abrindo meu coração de verdade. Tudo o que aconteceu na minha história desde o episódio de racismo de 2015 vem à tona sempre que eu apareço. Então é um processo de amadurecimento diário, de entender e melhorar. A gente tem que buscar esses erros e melhorar. Assim como no esporte. Mas, no esporte, essa chance é só de quatro em quatro anos. Mas é aprender com isso e melhorar, para fazer diferente em Paris”, desabafou o atleta em entrevista à TV Globo após sua apresentação de solo, na qual sofreu uma queda."

O episódio a que Nory se refere aconteceu há seis anos, quando ele e outros colegas de seleção gravaram vídeos com piadas racistas direcionadas ao colega Ângelo Assumpção, que é negro. Nory chegou a deletar sua conta no Twitter antes dos Jogos de Tóquio e, em nova entrevista à imprensa brasileira no Japão, disse ter sofrido depressão e síndrome de burnout, como é chamado o esgotamento mental ligado à rotina de trabalho.

“Fico sempre acuado, pensando em colocar o sorriso no rosto, brigando comigo para isso. E nestes últimos anos vêm isso muito forte, e no momento que você desabafa, assume, vem muita paulada. Venho tomando muita paulada agora e não vou mais me esconder. Vou assumir essa responsabilidade.”, disse. “Foi ano difícil, tive burnout, depressão, tive que parar um tempo, voltar, focar na barra. E estou aqui em mais uma Olimpíada. Atleta, ser humano, a gente erra."

Zanetti deve brigar por terceira medalha

Medalhista de ouro em Londres-2012 e de prata na Rio-2016, Arthur Zanetti deve brigar por seu terceiro pódio nas argolas. Na madrugada deste sábado, o ginasta obteve a boa nota de 14.900 e praticamente se garantiu na final, aguardando apenas a finalização da fase classificatória. No saltos, Caio Souza obteve média de 14,700 pontos e também tem boas chances de brigar pela final no aparelho. Já a classificação da seleção masculina ficou ameaçada após as apresentações de cavalo, argolas, salto, barras paralelas, barra fixa e solo.

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