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Polícia Em Água Clara

Advogada é resgatada em situação análoga à escravidão após receber proposta para trabalhar em MS

Além de não ser paga pelos serviços prestados em uma chácara, em Água Clara (MS), em depoimento à polícia, a vítima contou que foi agredida com um porrete: 'Eu vi o demônio na minha frente'.

04/05/2021 15h41
Por: Andressa Macedo Fonte: G1 MS
Na foto tirada pela advogada e entregue à polícia, mostra hematomas após a agressão, de acordo com a vítima — Foto: PCMS/Divulgação
Na foto tirada pela advogada e entregue à polícia, mostra hematomas após a agressão, de acordo com a vítima — Foto: PCMS/Divulgação

Uma advogada, de 56 anos, foi resgatada em uma chácara, em Água Clara (MS), a 179 km de Campo Grande, nesta terça-feira (4), após uma denúncia anônima de que ela estaria vivendo em situação análoga à escravidão. A polícia foi ao local e a mulher confirmou que além de não ser paga pelos serviços, teria sofrido agressões e chegou ao Mato Grosso do Sul depois de uma proposta de emprego, em um possível escritório de advocacia.

De acordo com o delegado Felipe Madeira, a advogada, que é de São Paulo, estaria morando no estado da Bahia, quando recebeu a proposta para trabalhar no suposto escritório em Mato Grosso do Sul. "Porém, o escritório nunca saiu do papel e a mulher foi mantida trabalhando em situação análoga a de escravidão por seis meses, em uma chácara", disse o delegado.

Durante o depoimento da vítima, Madeira detalha que a mulher disse que o proprietário da chácara, em "um surto violento, teria batido nela com um porrete". Em uma das falas, durante a conversa, a advogada falou à polícia: "eu vi o demônio na minha frente".

A mulher mostrou à polícia fotos do dia em que foi agredida, onde é possível ver hematomas no braço da vítima. Ainda conforme o depoimento, detalhado pelo delegado, a mulher contou que o proprietário da chácara "era extremamente agressivo, sendo que passava o dia inteiro proferindo xingamentos, e em um episódio recente teve um surto de raiva, utilizando um porrete para quebrar o vidro de uma caminhonete e golpeando a vítima no antebraço com a arma branca".

De acordo com Madeira, a vítima relatou que tinha medo de sair do local "frente à agressividade do suspeito, que poderia persegui-la na cidade por ter muitos contatos".

O delegado informou que o suspeito não foi preso em flagrante. "Um inquérito foi aberto, mesmo que seja evidente a situação, temos que investigar. A vítima foi afastada e está em segurança".

A polícia disse que suspeito será investigado pelo crime de redução à condição análoga à escravo, com pena de 2 a 8 anos, e ainda pelo de lesão corporal grave, com pena de 1 a 5 anos.

Promessa de emprego

Madeira disse que a vítima tinha contatos com o suspeito e que ele teria feito uma proposta de emprego para um possível escritório de advocacia.

"A vítima recebeu a proposta em um momento que estava em uma situação financeira difícil. Ela chegou em Mato Grosso do Sul e não encontrou o escritório", relatou Madeira.

O delegado contou que por não encontrar o trabalho, o proprietário da chácara chamou a mulher para trabalhar no local, porém, durante os seis meses, nunca recebeu nenhuma quantia referente ao serviço prestado.

"Ela fazia todos os trabalhos manuais, relativos à casa e o homem nunca pagou nada para ela. Tudo que ele prometeu não se concretizou", detalhou o delegado.

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"Era obrigada a limpar duas casas no mesmo terreno e a comer somente as sobras de comida, depois que todo mundo já tivesse terminado."

Este é um dos trechos do depoimento de Cíntia Domingos, que viveu, segundo a polícia, 9 meses em condição análoga à escravidão em uma casa no bairro Guanandi, em Campo Grande. Natural de Mateus Leme, em Minas Gerais, a mulher de 34 anos foi resgatada no dia 22 de março após fugir do local em que vivia com uma senhora de cerca de 80 anos, o neto dela e a esposa dele.

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