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Polícia Hospital da Capital

Suspeito de estupro em hospital diz que 'nunca tocou' na paciente, mas é desmentido: 'Chamava de meu doce'

Delegada diz que vítima foi levada para sala especial e reconheceu o técnico de enfermagem, sem sombra de dúvidas. Polícia também irá ouvir outras testemunhas e diz que paciente pediu medida protetiva em MS.

19/02/2021 14h39
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Por: Andressa Macedo Fonte: G1 MS
Hospital Regional de Campo Grande MS — Foto: Reprodução/TV Morena
Hospital Regional de Campo Grande MS — Foto: Reprodução/TV Morena

O técnico de enfermagem, indiciado por estupro de vulnerável após ser reconhecido pela vítima, em Campo Grande, nessa quinta-feira (18) disse em depoimento que "nunca tocou" na paciente. No entanto, segundo a polícia, ele foi desmentido pelos próprios colegas de trabalho. O caso veio à tona no início deste mês, após a mulher, de 36 anos, gravar um áudio denunciando o caso.

Conforme a delegada Maíra Pacheco, responsável pelas investigações, o suspeito disse que teve contato apenas com a paciente que dividia o quarto com a vítima, porém, as outras pessoas que cuidaram da vítima disseram que ele "ministrava medicamentos e a chamava, a todo momento, de meu doce".

"Ele é um técnico de enfermagem que tinha contrato temporário com o Regional. No depoimento, negou tudo e inclusive disse que sequer teve contato com ela. Falou que cuidava da senhora ao lado e, mesmo os leitos sendo três metros distantes um do outro, disse que nunca tocou na paciente, nunca ministrou medicação e nem fez os cuidados de higiene", ressaltou.

Mais uma vez, questionado sobre os fatos, o suspeito alegou que tinha tido apenas "um único contato" com a paciente, quando foi "medir a glicemia". Na data dos fatos, ele também negou aproximação no plantão noturno. "Foi aí que começamos a entender as contradições dele, principalmente porque as oitivas com colegas de trabalho já tinham sido feitas. As enfermeiras sabiam que ele teve contato, esporádico, mas teve contato. Ele foi caindo em contradição e como a vítima repassou características, com detalhes, tudo isso foi essencial", explicou.

Das características repassadas, a vítima teria dito que era "um homem de estatura mediana, com as orelhas um pouco proeminentes, cabelo cortado baixinho quase militar e também ele usava óculos com lentes mais escurecidas e tinha bastante pelos no corpo".

Ao chegar na delegacia, Maíra fala que a vítima ainda estava abalada e foi levada para sala especial de reconhecimento. Em seguida, quatro pessoas foram posicionadas, com características semelhantes e todos usando óculos e máscara, da mesma forma que a vítima via o suspeito no hospital.

"Ele repetiu a expressão meu doce, que era a expressão que ele repetia o tempo todo para ela no hospital. Ao entrar, ela já apontou, sem dúvida alguma, para o suspeito. Naquele momento, ela desabou e falou: é ele, é ele! A vítima também estava acompanhada de uma psicóloga e um representante da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]", argumentou a delegada.

Como não havia mandado de prisão, o suspeito foi liberado após duas horas de depoimento, na tarde dessa quinta-feira (18). "Mais duas testemunhas também devem ser intimadas para confronto no decorrer dos dias. A vítima também pediu medida protetiva", finalizou a delegada.

Entenda o caso

Internada desde o início do mês de fevereiro, com o diagnóstico de Covid-19, a paciente gravou um áudio e pediu para a mãe levar até a delegacia, denunciando suposto crime no hospital. No depoimento, ela disse que o suspeito se apresentou durante a madrugada e disse que ia cuidar dela, porém, "foi uma noite de terror", ainda conforme o relato da mulher.

Segundo a denúncia, a mulher diz que percebeu os fatos quando começou a sentir frio e o suspeito teria retirado a coberta, pegando um óleo e dizendo a ela que "era bom em massagem". "Eu não conseguia nem entender, falar direito e ele derramou o óleo e senti os dedos dele. Fiquei desesperada, ele pedia calma, pedia para não chamar a atenção e comecei a tossir muito até que outra enfermeira chegou e perguntou o motivo dele estar ali com a luz apagada. Aí depois veio o médico, ele ainda ficou ali um tempo com medo de eu falar algo, até que minha mãe ligou e eu consegui contar por cima", relembrou.

Após a ligação, a mulher disse que recebeu a visita de uma assistente social, além de outras profissionais que a acalmaram. Em seguida, ela gravou um áudio e a mãe registrou um boletim de ocorrência por estupro de vulnerável.

Hospital não vai se manifestar

O HRMS disse que não se manifestará a respeito da denúncia. Em nota, o hospital ainda disse que "todos os casos de supostas infrações nos diversos campos, administrativo e assistencial, são pautados nos ditames éticos e legais vigentes para tomada de providências".

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