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Política & Geral Combate à Covid 19

Pazuello diz que Brasil trabalha com 'no máximo' três opções de vacina contra Covid-19

Declaração ocorre horas após aprovação de imunizante da Pfizer no Reino Unido; ministro da Saúde não menciona laboratório

02/12/2020 13h36
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Por: Andressa Macedo Fonte: oglobo.globo.com
Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello Foto: SERGIO LIMA / AFP
Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello Foto: SERGIO LIMA / AFP

RIO E BRASÍLIA — O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil trabalha com "no máximo" três opções de vacina contra a Covid-19 no planejamento da imunização da população contra o novo coronavírus. A declaração ocorreu poucas horas após o anúncio da aprovação da vacina da Pfizer e da BioNTech pelo Reino Unido.

Pazuello não fez menção a laboratórios, mas, nas entrelinhas, o ministro parece reforçar a mensagem transmitida pelo seu secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros na última terça-feira. Medeiros, que também não citou vacinas específicas, disse que imunizantes dependentes de armazenamento e transporte sob temperaturas muito baixas — caso da fórmula da Pfizer — fogem do padrão ideal da pasta por limitações logísticas do país.

— São muito poucas as fabricantes que têm quantidade e um cronograma de entrega efetivo para o nosso país. Quando chega no final das negociações e vai para cronograma de entrega e fabricações, os números são pífios. É um número de grande quantidade que reduz a uma, duas, três ideias (companhias). A maioria fica com números muito pequenos para nosso país — disse Pazuello.

Oficialmente, o governo federal já firmou acordo com a farmacêutica britânica AstraZeneca visando a aquisição e produção de seu imunizante candidato, desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido) e testado no Brasil. Foi a única vacina mencionada por Pazuello, que previu 100 milhões de doses à disposição no Brasil no primeiro semestre de 2021, das quais 15 milhões entre janeiro e fevereiro, e a produção nacional de 160 milhões de doses no segundo.

Outra fórmula  no horizonte brasileiro é a Coronavac, do laboratório chinês Sinovac Biotech,  testada no país pelo Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. Apesar de Jair Bolsonaro ter vetado publicamente a sinalização da intenção de compra da Coronavac pelo ministro Pazuello, o presidente sinalizou na semana passada, sem fazer referência direta à vacina da Sinovac, que o governo comprará imunizantes eventualmente aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Há, ainda, a fórmula desenvolvida pela farmacêutica americana Moderna Inc, que já solicitou autorização para o uso emergencial de seu produto aos Estados Unidos e à União Europeia (UE). Embora o governo brasileiro não tenha firmado um acordo com a companhia, a empresa integra a Covax Facility, iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de vacinas e universalizá-las. O Brasil é um dos países signatários e elegíveis para o recebimento de doses.

Dois estados brasileiros, Bahia e Paraná, firmaram acordos com a Rússia para a aquisição e produção da Sputnik V, desenvolvida pelo laboratório russo Nikolai Gamaleya. A instituição, no entanto, ainda não formalizou um pedido para testar e registrar o imunizante, ainda em testes, no país. Nesta quarta-feira, o governo russo anunciou que deve iniciar a vacinação em massa no país na próxima semana.

Anvisa será fiel da balança

Pazuello afirmou ainda que somente imunizantes registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) serão aplicados no Brasil.

O ministro da Saúde ressaltou que apenas aqueles autorizados pela agência brasileira serão utilizados. Nesta quarta-feira, as autoridades britânicas iinformaram que a vacina estará disponível a partir da "próxima semana".

— A Anvisa é o nosso padrão ouro. Os técnicos e a equipe da Anvisa estão voltados e prontos para tratar o assunto de forma célere e direta, com mudanças de protocolos, recebimento de documentação com submissão contínua e imediata de cada processo. Nós precisamos compreender de uma vez por todas que só aplicaremos vacina no Brasil registradas na Anvisa, com todos os protocolos cumpridos da maneira correta. Isso precisa ficar claro — afirmou o ministro Eduardo Pazuello durante participação na Comissão Mista do Congresso sobre Covid-19.

Uma lei aprovada em fevereiro desse ano estabelece condição especial para entrada no país de insumos e medicamentos no combate ao coronavírus, o que gerou questionamentos sobre a possibilidade de estados adquirirem vacinas sem registro na Anvisa desde que tenham sido registrados em pelo menos uma agência internacional de quatro listadas na própria norma.

"A autorização deverá ser concedida pela Anvisa em até 72 (setenta e duas) horas após a submissão do pedido à Agência, dispensada a autorização de qualquer outro órgão da administração pública direta ou indireta para os produtos que especifica, sendo concedida automaticamente caso esgotado o prazo sem manifestação", diz a legislação.

Na semana passada, no entanto, a Anvisa emitiu uma nota afirmando que mesmo após o registro em algum outro país, a avaliação da Anvisa é necessária " para verificar pontos que não são avaliados por outras agências internacionais". Com a decisão do Reino Unido, o GLOBO voltou a questionar a Anvisa, mas ainda não obteve resposta.

Conforme apurou reportagem, a agência estuda autorizar o uso emergencial de vacinas contra Covid-19. O processo permitiria que o imunizante seja usado em casos específicos e previamente definidos, sem a necessidade de que o produto já tenha o registro do órgão.

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