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Opinião: rejeições dão choque de realidade no Cruzeiro e mostram que camisa não pesa mais que projeto

A vontade de Felipão em voltar a trabalhar após um ano não foi suficiente para aceitar o convite, assim como a valorização salarial e a maior projeção não seduziram Lisca e Umberto Louzer

15/10/2020 11h00
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Por: Andressa Macedo Fonte: globoesporte.globo.com
Passado de glórias não sustenta presente de más decisões e fracassos — Foto: Divulgação/ Mineirão
Passado de glórias não sustenta presente de más decisões e fracassos — Foto: Divulgação/ Mineirão

No futebol, há um - entre vários - jargões que diz que camisa não ganha jogo. Desde o ano passado, o Cruzeiro sente isso na pele com frequência. E, agora, vem experimentando também a sensação de ver que as cinco estrelas, sozinhas, não são capazes de seduzir profissionais.

A rejeição no mercado evidencia o momento melancólico pelo qual passa o Cruzeiro. Felipão, já caminhando para o final da carreira e há mais de um ano desempregado, optou por não assumir a equipe. Mesmo caminho adotado por Lisca e Umberto Louzer, que, mesmo em clubes sem tanta projeção quanto tem (em tese) o Cruzeiro, não enxergaram atrativos suficientes para aceitarem a proposta. No caso dos dois últimos, inclusive, teriam uma valorização salarial na Toca.

Momentos (não tão distantes) atrás, o clube era referência de pagamento em dia. Isso já foi por água abaixo. Estrutura do centro de treinamentos sempre foi elogiada, não por acaso já recebeu várias seleções. Hoje, o clube opta por ficar recluso em Atibaia, e a justificativa do presidente é de que os campos da Toca estão em estado deplorável. São quatro campos no CT, sendo que dois foram reformados em 2019.

O futebol do Cruzeiro é uma verdadeira bagunça. O que está acontecendo em campo, nada mais é do que o reflexo do departamento de futebol. Mudanças não param de acontecer, e o pior é que os resultados não aparecem. A impressão é de que nada muda para melhor com as decisões de quem está lá. Deivid é o diretor. Boas ideias e boas intenções de nada valem, se não expressarem resultados na prática. Esse mesmo departamento de futebol, inclusive, se queimou pela procura direta ao Umberto Louzer.

Recusas acontecem não só pela situação na tabela. Isso também pesa, claro. Mas o América (do Lisca), por exemplo, é um clube que tem quitado salários em dia, mesmo com receitas afetadas pela pandemia. O elenco do Cruzeiro, hoje, está com duas folhas em aberto. A Chapecoense (do Louzer) está em atraso com salário e direitos de imagem, mas o projeto, como um todo, a médio e longo prazo, ofereceu mais certezas do que o do clube mineiro. A verdade, por mais doída que possa ser para o torcedor, é que América e Chapecoense, hoje, são muito mais confiáveis do que o Cruzeiro.

Rogério Ceni e Enderson Moreira, caras que acreditaram em projetos do clube, deixaram boas situações em outros lugares, mas foram queimados em pouquíssimo tempo. O primeiro, por uma situação de elenco e com uma direção que teve problemas muito além da gestão do futebol. O segundo tinha respaldo do elenco, mas não conseguiu colocar em prática o que fez em outros times e acabou sendo trocado, em pequeno tempo, por um técnico com pouquíssimos indícios de que daria certo. Ney Franco foi mais um que durou pouco. Entrou na ciranda do último ano: o próximo treinador será o sétimo em 14 meses.

Diante disso, crer que Lisca ou Umberto Louzer aceitariam o convite só pode ter sido levando em consideração a camisa e a história. Felipão, além disso, poderia considerar também a gratidão expressada abertamente pela liberação para a seleção brasileira, em 2001, quando estava no Cruzeiro. Pensando friamente, só esses aspectos ou a valorização financeira fariam qualquer um deles aceitar, pelo momento profissional que vivem. Dois em clubes que oferecem muito mais perspectivas, e outro já com "o burro na sombra". O projeto do Cruzeiro é mais do que insuficiente.

Não há no que se agarrar para acreditar em uma arrancada que terminará com o acesso. O elenco só é melhor que os outros no papel e no orçamento da folha de pagamento. Mesmo que um treinador chegue para arrumar a casa, é improvável que a mudança seja tão brusca para sair da vice-lanterna ao G-4 em 23 partidas. A briga, hoje, é para seguir na Série B. Sejamos realistas. E a diretoria também precisa ser.

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