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Polícia Violência infantil

Padrasto e mãe batiam com chinelo, cinta e fio em menina de 3 anos, alegando que 'ela era muito arteira'

Polícia Civil concluiu inquérito e casal, que permanece preso, responde por tortura. Além da menina, o irmão dela, um bebê de 8 meses, também teria sido agredido.

30/04/2020 09h54
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Por: Redação 2 Fonte: G1 MS

A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e o Adolescente (Depca) concluiu o inquérito que apurava o crime de tortura em uma criança de 3 anos e o irmão dela, um bebê de 8 meses. Segundo a delegada Franciele Candotti, responsável pelas investigações, o padrasto e a mãe da vítima já foram indiciados e permanecem presos.

Em depoimento, eles alegaram que a menina "era muito arteira". A vítima possuía lesões e foi levada ao hospital pelo casal e, em seguida, como houve desconfiança da equipe médica, o Conselho Tutelar e a Polícia Civil foram acionados, sendo a mãe, de 21 anos, além do padrasto, de 19 anos, presos em flagrante.

O bebê de 8 meses, de acordo com a investigação, também possui lesões características de agressões. Ele passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal [Imol].

Durante buscas, em uma chácara nas proximidades da avenida Três Barras, a polícia também apreendeu objetos que possivelmente eram usados para as agressões, como um fio de ventilador, cinto e um chinelo. O padrasto confessou os crimes.

ENTENDA O CASO

No boletim de ocorrência, registrado no dia 21 de abril, consta que a conselheira tutelar foi acionada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon. Ao chegar no local, ela foi informada pela equipe médica que "a paciente deu entrada por volta das 22 horas (de MS) de segunda-feira (20), sendo levada pela mãe e mais um homem, o qual disse que a menina caiu do berço".

Desconfiados, eles entraram em contato, principalmente por perceberam fratura exposta e também a "atitude suspeita" do homem, que foi embora em seguida. A conselheira, por sua vez, entrou em contato com a Polícia Civil. O delegado plantonista, ao chegar no local, soube que a criança tinha sido transferida para a Santa Casa.

No outro hospital, o médico plantonista comentou que a menina "apresentava lesões incompatíveis com os fatos narrados pela mãe, como lesões no rosto e pescoço e equimose em diversas partes do corpo, além de lesão semelhante a queimadura na parte interna da virilha esquerda e fratura exposta no osso da tíbia".

O delegado então procurou pela mãe no interior da unidade hospitalar. Ela foi interrogada e disse que possui também outro filho, de 8 meses, que está em uma chácara na avenida Três Barras, sendo que ela não possui mais contato com o pai. Houve diversas contradições, de acordo com a polícia, sendo ela presa em flagrante.

Na ocasião, a mulher ainda repassou o possível endereço do paradeiro do padrasto, que seria a casa do pai dele, no bairro Santa Emília. Os policiais fizeram nova busca e encontraram o homem no local. Sobre a fratura exposta, ele negou participação e comentou que não ficou no local do atendimento médico pelo fato de ser evadido do sistema prisional.

Os envolvidos foram levados para delegacia e indiciados por tortura, com pena que pode chegar a 12 anos de reclusão.

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