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Política Cai o chefe da PF

Bolsonaro exonera diretor da PF; Moro deve pedir demissão

Presidente tomou a decisão sem combinar com o ministro da Justiça. Moro fará comunicado no ministério por volta de 11h.

24/04/2020 09h06
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Por: Redação 2 Fonte: Veja
Cai o chefe da PF - Foto: Vagner Rosário/Veja.com
Cai o chefe da PF - Foto: Vagner Rosário/Veja.com

Jair Bolsonaro deu nesta sexta o passo definitivo na longa disputa que se abriu no governo entre ele e o ministro Sergio Moro pelo comando da Polícia Federal. O presidente exonerou o delegado Maurício Valeixo do comando da corporação.

Há pouco, um aliado de Moro confirmou ao Radar que o presidente tomou a decisão sem combinar com o ministro da Justiça, o que deve definir o fim da história do ministro da Justiça no governo. Moro vai fazer um comunicado no ministério por volta de 11h.

Tudo sempre pode mudar, mas, há pouco, até os mais próximos interlocutores de Moro, disseram ao Radar que ele deve pedir demissão.

O Radar mostrou ontem que Bolsonaro já escolheu o substituto de Moro, por acreditar que o ministro vai mesmo cumprir a promessa de deixar o governo. Para a Justiça deve ir o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira.

Moro passou a estudar a demissão nesta quinta, após o presidente decidir interferir no comando da Polícia Federal. A condição imposta ao presidente por Moro para que ele continuasse o trabalho na Justiça foi manter a direção da Polícia Federal livre de interferências políticas, o que o ministro só considerava ser possível se ele próprio indicasse o substituto de Maurício Valeixo, o atual diretor.

O problema é que Bolsonaro e seu time no palácio parece convencido de que o nome ideal para a PF é o do secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres. Próximo da família Bolsonaro, o delegado é visto com desconfiança na corporação. Escolhido pelo Planalto, ele faria jogo duplo na polícia — subordinado a Moro, mas com linha direta ao “zap” presidencial — como aliado da primeira família. Não há, porém, fato conhecido que desabone o trabalho de Torres, que realiza uma gestão técnica no governo do DF.

Nesta quinta, Moro passou a tarde dando sinais trocados a diferentes interlocutores. A curiosos e de poucas relações, dizia que nada mudaria e que continuaria no governo. Aos mais próximos, admitia não ter decidido seu futuro.

O Radar mostrou nesta quinta que a proximidade do governo com investigados da Lava-Jato também colabora para que o ministro pense em desembarcar do barco bolsonarista. Defensores da saída dizem que esse é o momento. Com o presidente desorientado no jogo político, pressionado pela pandemia de coronavírus e disposto a fazer qualquer negócio para manter-se vivo no jogo político, torna-se imprevisível a Moro continuar atrelado ao projeto presidencial.

Bolsonaro, com a simpatia do seu núcleo ideológico, avalia que Moro já foi “mais indemissível”. Depois da experiência vivida com a fritura de Luiz Henrique Mandetta na Saúde, o presidente ganhou coragem para trocar quem lhe faz sombra no Planalto. É uma aposta de risco.

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